quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Previsão para 2009



Do olhar de espanto

O novo, aquilo que destoa, incomoda, que desperta sensações

para o inesperado!

O que quebra, estilhaça e ressurge

ressignificado.

Não olhemos com ojeriza para um futuro que é tocado por dedos humanos que trazem as reminiscências do passado.

D.

31/12/2008

domingo, 28 de dezembro de 2008

Um lugar

Um lugar.
Onde nenhum. Um tempo para tentar ver. Tentar dizer. Quão pequeno. Quão vasto. Se não ilimitado com que limites. Donde o obscuro. Agora não. Agora que se sabe mais. Agora que não se sabe mais. Sabe-se somente que saída não há. Sem se saber porque se sabe somente que saída não há. Somente entrada. E daí um outro. Um outro lugar onde nenhum. Donde outrora dali regresso nenhum. Não. Lugar nenhum a não ser só um. Nenhum lugar a não ser só um onde lugar nenhum. Donde nunca outrora uma entrada. Dalgum modo uma entrada. Sem um só além. Dali donde não há ali. Por lá onde por lá não há. Ali sem de lá nem dali nem sequer por onde.


Samuel Beckett

Não lugar

Calafrios
acometem meu ser
são os muitos instantes
de aflição
ao rememorar o passado e sentir que
ao mesmo tempo que existe um pertencimento
existe uma repulsa, ou
ainda
que a repulsa vem de uma insatisfação
de anos


os anos vividos, os não vividos,
anos,
aqueles que só projetamos na nossa memória
e o guardamos a sete chaves
do medo do deslocamento
de sentir um não sentido em nada


das portas que se abrem
revelam muitas coisas secretas.

sensação estranha
estranha

sem definição exata
borrada e rasurada
de linhas que estão sendo recicladas


e o papel começa a se mostrar em branc0



aqui no não lugar
28/12/2008
foto do blog lebredoarrozal